Estreado em 1992 pela Companhia de Dança de Almada, o espetáculo afirmou-se como uma referência incontornável da história contemporânea da dança em Portugal, tendo realizado uma extensa digressão nacional e internacional. A sua relevância mantém-se plenamente atual, como o demonstram as sucessivas remontagens levadas a cabo por companhias profissionais e entidades de formação em dança.
Em O CANSAÇO DOS SANTOS, Clara Andermatt aprofunda a exploração das dimensões mais primárias e arquetípicas das emoções humanas. Trata-se de uma obra de forte carga simbólica, na qual ícones ritualísticos e religiosos são atravessados por uma intensa fisicalidade e por uma sexualidade afirmativa. A peça constrói um retrato teatral de duas personagens em permanente estado de procura — de si próprias, do outro e de respostas que permanecem em suspenso.
A remontagem de O CANSAÇO DOS SANTOS constitui, assim, um gesto de valorização patrimonial e de preservação da memória coreográfica, permitindo revisitar uma obra que mantém plena relevância artística e cultural passadas mais de três décadas sobre a sua criação.