Nha Fala

Flora Gomes é um dos mais representativos cineastas africanos, conhecido pelo modo original de traçar retratos africanos recorrendo ao mito e à história actual, numa fusão de elementos com delicada carga poética e forte sentido universal.

“Nha Fala” (“A Minha Voz” em crioulo) é uma longa-metragem de 2002, que conta com a coprodução de Portugal, França e Luxemburgo.

Trata-se de uma comédia musical protagonizada por uma jovem mestiça que viola um interdito cultural. A transgressão é simbólica: em vez de a levar a um confronto com a morte, leva-a a um confronto com a vida. Em vez de causar a anunciada tragédia, torna-se acto redentor que a liberta. A tragédia, augúrio ditado pela negra condição africana, é contornada por um poder maior, que a tradição subestima, reprimida pelo colonialismo: a força da vida. Depois do aclamado "Os Olhos Azuis de Yonta" (1992), “Nha Fala” é a segunda parábola de um negro de alma branca que nega o destino que lhe foi traçado e se põe a ver a questão sem lamento.

Flora Gomes divide o argumento com Franck Moisnard e para esta produção convidou nomes como Manu Dibango (música), Clara Andermatt e Max-Laure Bourjolly (coreografia), Edgar Moura (direção de fotografia), Pierre Donadieu (direção de som), Véronique Sacrez (cenários), ou Rosário Moreira e Virginia Wogwill (guarda-roupa), entre outros.

Fotografias de Nha Fala (promo), ACCCA (backstage)