Parece que o Mundo

Na longa colaboração entre Clara Andermatt e o compositor João Lucas ecoa a cumplicidade, alimentada pelo entrosamento das relações expressivas entre movimento e música.

"Parece que o Mundo" inspira-se no livro “Palomar”, de Italo Calvino, para constituir uma montra que aproxima os espetadores do mundo que observa e que é observado. Tal como o livro, a peça oscila entre três planos distintos: o da observação, o da narrativa e o da meditação.

Conjugando intuição e pensamento metódico, em “Parece que o Mundo” a atenção às coisas movimenta-se pela imensidão daquilo que parece - quer nas relações mais amplas com o cosmos ou com o infinito, quer no âmbito mais restrito das observações quotidianas, construindo símbolos e significados.

Da escrita de Calvino nascem também múltiplos desdobramentos de interpretação, premissas da criação do gesto e do som. No livro, o mundo é observado na procura de uma ordem sistemática para “a muda extensão das coisas”; na peça, encena-se a intensidade misteriosa do mundo, colocando cada espetador num observatório da sua própria experiência.

A particular sonoridade musical é composta por uma pequena família de instrumentos de corda tangida – um violino, um violoncelo e um contrabaixo – que se desdobram em multiplicidades exploratórias, para além da sua função musical – o que são enquanto objeto, que relações possibilitam com os intérpretes, com o espaço cénico e com a encenação. Por vezes, junta-se a este ambiente acústico um discurso musical electrónico que sugere outro lugar, paralelo, e se revela apenas em momentos específicos.

 

"O título da nova peça de Clara Andermatt coloca-nos desde logo em certa disposição anímica: percepções suspensas e deambulações mentais sobre a existência são os territórios para onde "Parece Que o Mundo" nos leva de viagem."
Luísa Roubaud, in Público (2018)

 

"Assim, perplexos, assistimos num palco que se complexificou no seu conjunto muito elaborado de propostas, já não é o singelo do passado (nem poderia ser, em pleno post-modernismo do século XXI) é algo que é mais do que uma proposta artística, uma elaboração de um conceito complexo, aprofundado, ampliado nas suas várias vertentes, artísticas, filosóficas e até científicas que vão para além do inspirado Calvino."
Ivette K. Centeno (2018)

 

“Parece que o Mundo” recebeu nomeação para Prémio Autores 2019 da SPA/RTP - categoria “Melhor Coreografia”. Eleito para  "Os 5 Melhores de 2018 / Dança", pelo jornal Expresso.

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Direção: Clara Andermatt | Cocriação: João Lucas & Clara Andermatt | Intérpretes: Ana Moreno, Felix Lozano, Gil Dionísio, Joana Guerra, João Madeira, Jolanda Loellmann, Liliana Garcia | Composição de música electrónica: Jonas Runa | Cenografia: Artur Pinheiro | Figurinos: Ana Direito | Desenho de luz: José Álvaro Correia | Operação de som: Ricardo Figueiredo | Coprodução: São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Cine-Teatro Louletano | Produção: ACCCA Companhia Clara Andermatt (Elisabete Fragoso e Pedro Pestana) | Apoios: O Espaço do Tempo, Musibéria, Estúdios Victor Córdon CNB-TNSC, Jazzy Dance Studios, Playbowling de Cascais, Teatro do Bairro | Apoio à divulgação: Antena 2 e Lisboa Arte Hostel | Agradecimentos: Fundação Calouste Gulbenkian

Fotografias de José Frade, João Roldão

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